“História em quadrinhos” no Brasil ou “bande dessinée” na França: não importa o nome e o lugar, a nona arte conquista cada vez mais admiradores em todo mundo. A BD, como é coloquialmente conhecida pelos franceses, se reinventou e cada vez mais se distancia da antiga ideia de ser uma diversão apenas para crianças. Os quadrinhos também têm se tornado um espaço de experimentação e de novas linguagens, passando a incorporar outras expressões artísticas como a literatura, as artes visuais, a música, em diálogo também com as novas mídias digitais.

Pensando em valorizar ainda mais os quadrinhos no país, o Ministério da Cultura francês anunciou que 2020 seria “L’année de la BD” – O Ano dos Quadrinhos – na França. A arte será tema de uma série de eventos, como exposições, colóquios e festivais, em todo o país durante todo o ano.

Atualmente cerca de 8,4 milhões de franceses compram quadrinhos, o que representa 15,5% da população. Além dos títulos francófonos clássicos, como Astérix e As Aventuras de Tintin, surgem cada vez mais novos títulos sobre uma variedade de temas e para os mais diversos públicos, do infantil ao adulto. Além disso, a França conta com um dos maiores festivais dedicados ao gênero no mundo, o Festival Internacional de Angoulême. Organizado todos os anos na cidade de Angoulême, no sudoeste da França, reúne cerca de 200 mil visitantes nos quatro dias de festival.

As festividades desse ano também chegam a outros países através de iniciativas do Institut Français, das embaixadas francesas e Alianças Francesas ao redor do mundo. A Aliança Francesa Brasil planeja um grande destaque para essa programação, e convidou o desenhista Jean-Denis Pendanx para uma turnê por várias cidades no Brasil. Pendanx é um dos expoentes no cenário dos quadrinhos da França e é responsável por muitas histórias e ilustrações contemporâneas francesas, como Diavolo le solennel, Labyrinthes, Les Corruptibles, Abdallahi, entre outros. Pendanx teve a oportunidade de se encontrar com o público em Fortaleza e Recife, apesar das medidas de isolamento social adotadas que encurtaram sua turnê no Brasil, e deixou para nós uma pequena amostra virtual do seu trabalho:

Apesar de ser um ano de comemoração, ele também será marcado por uma grande perda: o grande cartunista francês Albert Uderzo, mais conhecido por ter criado, junto com René Goscinny, as histórias do personagem Astérix, faleceu no dia 24 de março, vítima de um ataque cardíaco.

Nascido em 1927 na região francesa de Marne, Uderzo aprendeu a desenhar sozinho tendo contato com os quadrinhos do Mickey Mouse, publicados nos jornal Le Petit Parisien. Na Société Parisienne d’Édition (SPE), começou o seu percurso profissional, desenvolvendo as bases da sua profissão junto ao cartunista francês Calvo, que atuou como seu mestre. Então, em 1941, Uderzo publicou seu primeiro desenho, no suplemento Boum, do jornal Junior.

Em 1950, Uderzo conhece René Goscinny, que seria seu grande amigo e colega. Juntos, em 1958, eles criaram o personagem Oumpah-Pah, que apareceu pela primeira vez no jornal Tintin. No ano seguinte, os dois deram vida ao seu personagem da sua série de maior sucesso: Asterix, que vendeu 380 milhões de cópias em 111 idiomas, além de filmes, videogames, produtos e um parque temático. Os dois trabalharam juntos nas histórias do guerreiro gaulês até a morte de Goscinny, em 1977. Extremamente abalado pela morte do amigo, Uderzo apenas retomou as histórias em 1980, trabalhando com elas até 2011, quando anunciou sua aposentadoria.

A morte de Uderzo foi muito sentida por todos os profissionais e amantes dos quadrinhos espalhados pelo mundo. No Brasil, o grande cartunista Maurício de Souza, criador da Turma da Mônica, lamentou a perda do amigo. Para ele, Uderzo foi “um dos maiores cartunistas que já conheceu”, que “criou um universo focando na história de uma pequena aldeia gaulesa e demonstrou que não fugir de grandes desafios é a nossa missão de vida”, ele disse na entrevista que concedeu à revista brasileira Veja.

Em sua conta no Instagram, ele homenageou o cartunista:

 

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Merci, Uderzo

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Em homenagem à Uderzo, a Culturethèque, biblioteca digital francesa, disponibilizou um podcast  que narra uma das histórias mais populares de seu personagem, “Astérix et la Zizanie”, com efeitos sonoros e trilhas musicais. E, se você quiser também se aventurar no mundo dos novos quadrinhos francófonos, separamos algumas sugestões disponíveis na Culturethèque, que está com acesso gratuito até o dia 30 de maio:

 

Sugestões BDs na Culturethèque:


GOUPIL OU FACE

Lou é uma boa menina em todos os aspectos. Jovem, bonita, cercada de amigos, uma família amorosa, ela tem tudo para não cair na depressão… Mas, de tempos em tempos, sem razão, um animal insaciável a devora … uma raposa! Ou seu temperamento bipolar, na forma de uma raposa caprichosa. Com ela, o leitor descobrirá o mundo em alto contraste das doenças bipolares. Leia aqui >

S’ENFUIR – RÉCIT D’UN OTAGE

Em 1997, quando ele estava no comando de uma ONG médica no Cáucaso, Christophe André viu sua vida virar de cabeça para baixo durante a noite após ser sequestrado no meio da noite e levado, com um capuz na cabeça, para um destino desconhecido. Guy Delisle o conheceu anos depois e recolheu a história de seu cativeiro – um inferno que durou 111 dias. Leia aqui >

LA GUERRE DE CATHERINE

Uma história sobre a fuga e o cotidiano de uma adolescente judia na Segunda Guerra Mundial, seus encontros, seus medos, mas também os poucos momentos de descanso e graça que sua arte, a fotografia, lhe oferecerá. Leia aqui >

DANS LA COMBI DE THOMAS PESQUET

Em 2 de junho, o francês Thomas Pesquet, 38 anos, astronauta, voltou à Terra depois de passar 6 meses na Estação Espacial Internacional. Nesta história em quadrinhos, Marion Montaigne conta com humor – sua marca registrada – a jornada desse herói desde sua seleção, depois seu treinamento até sua missão na ISS e seu retorno à Terra. Leia aqui >

 

 

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