A arte pelo corpo de Olivier Dubois

“A história do entretenimento ao vivo é composta de milhões de histórias de corpos.” É assim que o bailarino e coreógrafo francês Olivier Dubois apresenta seu último espetáculo Pour Sortir Au Jour – “Para sair à luz do dia” em tradução livre. Convidado pela Aliança Francesa para se apresentar em turnê pelo Brasil no mês de março, em parceria como as AFs de Belém, Belo Horizonte, Brasília e Rio de Janeiro, Dubois foi além de uma mera apresentação de dança contemporânea, e propôs uma reflexão sobre a natureza da arte performática.

Ao longo de 20 anos de carreira, o bailarino participou de mais de 60 espetáculos, e foi eleito um dos 25 melhores dançarinos do mundo pela revista Danse Europe. No entanto, apesar do sucesso atual, o início da carreira de Olivier Dubois foi difícil. Com o sonho de se tornar bailairino, Dubois iniciou tardiamente na dança em 1995, aos 23 anos. Porém, em sua primeira tentativa de ingressar em um coletivo, os organizadores foram categóricos: ele não teria futuro na dança.

Anos mais tarde, ele conta essa história em seu solo Pour Sortir Au Jour. O título foi inspirado pelo Livro dos Mortos do Antigo Egito, também conhecido em francês como “Livre pour sortir au jour”, ou “Livro para sair à luz do dia”. Com a alusão à expressão francesa “sortir au jour”, que significa se revelar, se mostrar “à luz” do mundo, Dubois marca também uma de suas intenções no espetáculo: revelar sua história e sua intimidade através do seu corpo e da dança.

Ao fazer uma releitura de alguns dos espetáculos em que participou, Dubois exalta seu próprio corpo como uma obra de arte, capaz de reter milhares de movimentos, gestos, intenções e emoções. Assim como os corpos de todos os intérpretes seriam “a carne performática do espetáculo vivo”, Dubois também foi o suporte das criações de Jan Fabre, Angelin Preljocaj, Sasha Waltz, e tantos outros coreógrafos de renome. O bailarino marcou a dança contemporânea com sua excelência técnica, presença atípica e audácia, reconhecida pelos principais críticos de dança no mundo.

Enquanto idealizador de coreografias impactantes, as emoções são matéria frequente de suas criações, como por exemplo a trilogia Etude critique pour un trompe-l’oeil (Estudo crítico para uma ilusão de ótica, em tradução livre). Composta pelos espetáculos Révolution (2009), Rouge (2011) e o díptico Tragédie (2012), sua criação mais famosa, e Auguri, (2016), todas as peças discutem a noção de humanidade, abordadas por diferentes aspectos.

Em Auguri, Dubois busca encerrar o ciclo com uma busca pela felicidade, busca que ele sentiu falta assim que finalizou “Tragédie”. O termo italiano “auguri” é usado para desejar “boa sorte” ou “parabéns” a alguém, e foi escolhida por evocar a alegria e a celebração. Agora, a companhia do coreógrafo disponibiliza gratuitamente o documentário de mesmo nome sobre o espetáculo, que você pode assistir clicando aqui . Assim, Dubois e sua equipe tentam levar um pouco da arte e da emoção que seus corpos transmitem para todos em suas próprias casas.

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