Dia Internacional da Mulher: Sélection Femmes

Hoje se completa 40 anos do Dia Internacional da Mulher. A data marca um tempo de reflexão sobre o progresso feito e a celebração de atos de coragem e determinação de mulheres comuns que tiveram um papel determinante na história das suas comunidades.

Preparamos uma seleção exclusiva de autoras inspiradoras! Todos os livros/filmes sugeridos estão disponíveis na midiateca ou na plataforma Culturethèque.


Irène Némirovsky

Foi uma escritora judia que viveu na França e morreu durante a II Guerra Mundial no campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau. Sua obra-prima é o livro Suite Française. Irène escreveu a história à mão nas páginas de um caderno durante a ocupação da França pelos nazistas. Por ser judia, o escreveu em segredo, mas nunca conseguiu finalizar, pois em 1942, ela foi presa e mandada para Auschwitz. Este manuscrito ficou guardado pela sua filha mais velha, Denise Epstein-Dauplé, durante décadas. Imaginava que se tratava de um diário pessoal da mãe, e que seria doloroso demais ler aquilo. No final dos anos 1990, no entanto, Denise fez um acordo com um arquivo francês de doação dos papéis de sua mãe – e aí decidiu examinar o caderno. Acabou descobrindo que as anotações pessoais de Irène Némirovsky tratavam-se de um belíssimo romance, que narrava brilhantemente o desenrolar de uma quase relação, uma quase história de amor, uma coisa que não chega a acontecer, mas que é descrito com muitos detalhes e vivacidade. Uma verdadeira obra-prima.
Suite Française foi publicado na França em 2004. Tornou-se um best-seller internacional. O filme estava em pré-produção, as filmagens ainda não haviam começado, quando Denise Epstein-Dauplé morreu, em 2013. Os créditos finais dedicam o filme a ela.

“É uma sensação extraordinária ter trazido minha mãe de volta à vida”, ela disse. “Mostra que os nazistas não conseguiram de fato matá-la. Não sei se é uma vingança, mas é uma vitória”.

Seu livro "Le Bal" está disponível na midiateca (nível A2) e Suite Française está disponível na Culturethèque aqui.

 

Anne Wiazemsky

É uma Atriz, diretora e escritora francesa de origem alemã. Nascida de uma família de diplomatas russos, é filha do Wiazemsky-Levashov e neta do famoso escritor François Mauriac. Atraída pela sétima arte desde cedo, Anne Wiazemsky interpreta seu primeiro papel em 1966 no filme "Balthazar" Robert Bresson.
Anne conhece Jean-Luc Godard e casa-se com ele no ano seguinte. Anne foi dirigida pelos diretores mais prestigiados do seu tempo: Pier Paolo Pasolini, em "teorema", em 1968, Marco Ferreri em "a semente humana", em 1969, e Michel Deville em "Raphael ou o debochado" em 1971. Durante os anos 1970, ela se vira incluindo em "Tudo está bem", de Jean-Luc Godard, em 1972, "Cadeira Color" de François Weyergans, em 1977 ou "a verdade sobre a paixão de um desconhecido imaginária" Marcel Hanoun, em 1974. Em 1988, após as filmagens de "cidade estrangeira" Didier Goldschmidt, Anne Wiazemsky decidiu se dedicar a escrita. Ela publica a coleção "Des filles bien élevées" e continua com dois romances, "mon beau navire" em 1989 e "Marimé" em 1991. O primeiro grande sucesso como escritor Anne Wiazemsky chega em 1993 com o romance "Caninos", no qual ela evoca suas lembranças de atriz. O livro ganhou o Prêmio Goncourt para os alunos.
Cinco anos mais tarde, ela recebeu o Grand Prix du Roman da Academia Francesa por seu livro "Une Poignée de gens", no qual ela retorna às suas origens russas. Ela também participa como roteirista para adaptar o romance para o cinema, lançado em 2003 sob o título "Toutes ces belles promesses" e dirigido por Jean-Paul Civeyrac.

Seu livro "Canines" está disponível para empréstimos na midiateca (nível B2). "Un an après" pode ser encontrado na Culturethèque aqui.

 

Amélie Nothomb

É uma escritora Belga. Passou a infância e a adolescência no Extremo-Oriente, em particular no seu país natal e na China. Profundamente marcada pelo Japão, onde o seu pai foi embaixador, fala fluentemente japonês e foi intérprete em Tóquio. «Grafómana», como se define a si própria, escreve desde sempre. Em 1992, com 25 anos, fez a sua entrada no mundo das letras, sendo hoje uma das figuras mais mediáticas da cena literária francesa. Tem nacionalidade belga e vive normalmente em Bruxelas. Uma autora prolífica, ela publicou um livro por ano desde seu primeiro romance “Hygiène de l'assassin” em 1992. Seus romances estão entre as melhores vendas literárias e alguns estão traduzidos em várias línguas. Este sucesso valeu-lhe ser nomeada Comendadora da Ordem da Coroa e recebimento do rei Philip o título de baronesa. Seu romance “Stupeur et tremblements” ganhou o Grande Prêmio romance 1999 pela Academia Francesa. Em 2015, foi eleita membro da Academia Real de língua e literatura francesa na Bélgica.

O livro e filme de “Stupeur et tremblements” estão disponíveis na midiateca.

 

Maïssa Bey

A argelina Sâmia Benameur, professora com formação em Letras, dedica-se à escrita literária apresentando-se com o nome de Maïssa Bey. O uso do pseudônimo não ocorreu pelo simples prazer em criar um nome fantasia para atrair a atenção do público. Ela o fez por questões de sobrevivência, num período de grande instabilidade política, na Argélia, nos anos de 1990. Sua paixão pela leitura vem da infância, influenciada pelo pai que era professor em uma escola de Boghari, na província de Medea. Maïssa Bey prossegue os estudos e, quando mais tarde torna-se professora, estreita ainda mais a relação leitura e escrita que, para ela, estão intimamente ligadas. Logo, se foi nos livros que buscou refúgio para se proteger de uma realidade dificílima para uma criança de sete anos – tortura e morte do pai pelo exército francês –, é na escrita ficcional que encontra lugar para lutar contra o esquecimento e o silêncio opressor. Além de seu trabalho como escritora, é fundadora da associação de mulheres argelinas Paroles et Écriture e cofundadora das edições Chèvre-feuille étoilée na qual dirige a coleção Les chants de Nidaba e a revista Étoiles d’Encre. Ao percorrermos as publicações de Bey observamos que muitas receberam prêmios e algumas foram adaptadas para o teatro. Seu primeiro romance, Au comencement était la mer, foi lançado em 1996, e, desde então, sua produção literária não parou de crescer.
Dois anos depois, surge o livro de contos Nouvelles d’Algérie lançado pela editora Grasset, obtendo o prêmio Grand Prix de la Nouvelle de la Société des Gens de Lettres, em Paris. Jocelyne Carmichael escolhe o conto Quand il n’est pas là elle danse e o adapta para o teatro. Em 2003 é a vez de Cette fille-là, romance lançado em 2001 que enfoca a exclusão de várias mulheres na tentativa de abafar-lhes as vozes, ser levado ao palco. É importante 11 ressaltar que este romance ganhou o prêmio Marguerite Audoux recebendo no teatro o título de Filles du silence.

Os romances "Cette fille-là" e "Sous le jasmin la nuit" estão disponíveis na midiateca.

 

Marguerite Duras

Marguerite Duras nasceu em Gia Định, atual distrito de Bình Thạnh em Saigon (atual Cidade de Ho Chi Minh), na colônia francesa da Cochinchina, sul do atual Vietnã. Sua família retornou à França, onde estudou Direito e também se tornou escritora. Decidiu mudar o sobrenome de Donnadieu para Duras, nome de uma vila do departamento francês de Lot-et-Garonne onde se situava a casa de seu pai. É autora de diversas peças de teatro, novelas, filmes e narrativas curtas. Seu trabalho foi associado com o movimento chamado nouveau Roman (novo romance) e com o existencialismo. Entre algumas de suas obras estão O Amante, A Dor, O Amante da China do Norte e O Deslumbramento.
Também conhecida como a roteirista do filme "Hiroshima, meu amor", dirigido por Alain Resnais (premiado cineasta do movimento nouvelle vague), Duras também dirigiu filmes próprios, inclusive o conceituado "India Song" de 1976, muito embora sua carreira cinematográfica não atingisse o reconhecimento da literária nos meios intelectuais e acadêmicos. Outras obras suas foram adaptadas por outros diretores de cinema como O Amante de Jean-Jacques Annaud, no ano de 1992.
Marguerite Duras faleceu aos 81 anos de idade em Paris, vitimada por um câncer. Foi sepultada no cemitério de Montparnasse.

O livro e filme de "Un barrage contre le Pacifique" estão disponíveis na midiateca.

 

Leila Slimani

A escritora nascida em Marrocos Leila Slimani ganhou o prêmio literário mais importante da França, e se tornou a 12ª mulher reconhecida com o Prix Goncourt em 113 anos. A autora e jornalista franco-marroquina recebeu a honraria por seu segundo livro "Chanson Douce" ("Doce canção"). Ela ainda não teve nenhuma obra traduzida para o português. Em 2014, ela publicou seu primeiro romance Gallimard “Dans le jardin de l’ogre”. O assunto (o vício sexual feminino) e escrita são notados pela crítica  e o trabalho é selecionado entre os cinco finalistas para o premio Flora 2014.

"Chanson Douce está disponível na Culturethèque aqui e "Dans le jardin de l'ogre" na midiateca.

 

Simone de Beauvoir

Simone Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir, mais conhecida como Simone de Beauvoir foi uma escritora, intelectual, filósofa existencialista, ativista política, feminista e teórica social francesa. Embora não se considerasse uma filósofa, De Beauvoir teve uma influência significativa tanto no existencialismo feminista quanto na teoria feminista.
Nascida em Paris, era a primogênita de duas irmãs, filha de um casal descendente de famílias tradicionais, porém decadente. Seu pai era o advogado Georges Bertrand de Beauvoir, ex-membro da aristocracia francesa, enquanto a mãe era Françoise Brasseur, membro da alta burguesia francesa.
Ela estudou em uma escola católica privada até os 17 anos. Depois de passar no vestibular de matemática e filosofia, acabou por estudar matemática no Instituto Católico de Paris e literatura e línguas no colégio Sainte-Marie de Neuilly, e em seguida, filosofia na Universidade de Paris (Sorbonne), onde conheceu outros jovens intelectuais, como Maurice Merleau-Ponty, René Maheu e Jean-Paul Sartre, com quem manteve um relacionamento aberto por toda a vida.

De Beauvoir escreveu romances, ensaios, biografias, autobiografia e monografias sobre filosofia, política e questões sociais. Ela é conhecida por seu tratado Le Deuxième Sexe, de 1949, uma análise detalhada da opressão das mulheres e um tratado fundamental do feminismo contemporâneo, além de seus romances L'Invitée e Les Mandarins. Ela lecionou em várias instituições escolares no período entre 1931 a 1943. Nos anos 1940 ela integrava um círculo de filósofos literatos que conferiam ao existencialismo um aspecto literário, sendo que seus livros enfocavam os elementos mais importantes da filosofia existencialista.

Os dois volumes de "Le Deuxième Sexe" estão disponíveis na midiateca.

 

Françoise Sagan

Françoise Sagan, pseudônimo de Françoise Quoirez (Cajarc, Lot, 21 de junho de 1935 — Honfleur, 24 de setembro de 2004) foi uma escritora francesa. Françoise Quoirez ficou mundialmente conhecida como Françoise Sagan, pseudônimo retirado de uma obra de Proust. Conheceu o sucesso ainda garota quando, aos 18 anos, escreveu em sete semanas sua primeira e mais consagrada obra: Bonjour Tristesse, que só nos Estados Unidos vendeu um milhão de exemplares, e à qual se seguiram cerca de cinquenta obras, entre romances, peças teatrais e autobiografias. Na ocasião, o grande escritor católico François Mauriac saudou-a, na primeira página do jornal Le Figaro, como um "monstrinho encantador". Sagan foi uma mulher de esquerda, ativista, inteligente e sensível considerada por muitos como a última existencialista. Extraordinária escritora, criou um estilo fluido e transparente, que se tornou escola e abriu caminho para escritoras como Anne Wiazemsky (a neta de François Mauriac) a Camille Laurens.

Sagan costumava dizer: "o que falta à nossa época é a gratuidade, fazer algo por nada". Apesar de famosa, sofria de uma estranha solidão interior e nunca teve o talento reconhecido pela crítica. Entretanto, figuras importantes celebravam seu talento, tal como o presidente francês Jacques Chirac, que declarou: "Com a sua morte (Sagan), a França perde uma de suas mais brilhantes e sensíveis escritoras – uma figura iminente de nossa história literária".

"Bonjour Tristesse" está disponível na midiateca assim como um filme sobre a biografia da autora.