Le céfran est zarbi, non? Talvez você esteja se achando um pouco ouf por não entender a frase anterior. O fato é que mesmo se você for fluente em francês, pode não conhecer o verlan. As palavras “céfran”, “zarbi”, “ouf”, fazem parte do vocabulário dessa espécie de gíria francesa, muito usada pelos franceses em contextos informais, principalmente os mais jovens.

Apesar de assustar aqueles que o encontram pela primeira vez, a formação das palavras no verlan é bastante simples. Trata-se da inversão dos sons das sílabas da palavra original. “Céfran” é a inversão de “Français”, enquanto “zarbi” é a inversão de “bizarre”. E a própria palavra “verlan” segue essa lógica, pois trata-se do verlan de “l’envers”, o inverso.

Quando uma palavra possui apenas uma sílaba, acaba-se invertendo os sons dela. É o caso de “ouf”, versão em verlan da palavra “fou” (louco). Outra característica é que todas as vogais da palavra se transformam na vogal “e”. Sendo assim, uma palavra como “femme” (mulher), cujo primeiro “e” se pronuncia como “a”, se torna “meuf”, com som de “ê”, e não “mafe”.

Esse jogo de inversão de sílabas sempre esteve presente na cultura e literatura francesas, mas foi a partir da ocupação alemã durante a Segunda Guerra Mundial é que passou a ser utilizado mais amplamente, se tornando uma gíria comum. O termo verlan surgiu nos anos 50-60, e a partir dos anos 70 passou a ser adotado principalmente pelos moradores mais pobres dos subúrbios, a maioria de origem estrangeira, entre eles muitos árabes do Norte da África e seus descendentes.

O caso de verlan mais curioso talvez seja da própria palavra “Arabe”. Ambas as vogais “a” da palavra ganham som de “ê”, e ao inverter o resultado ficou “beur”. O termo ficou extremamente popular, e passou a designar os filhos franceses dos imigrantes árabes do Norte da África. Tempos depois, a palavra foi invertida mais uma vez pelos mais jovens, mas em vez de retornar ao seu original – “arabe” – “beur” se tornou “rebeu”.

Hoje em dia, o verlan é muito comum, e alguns termos já fazem até parte do dicionário, como “meuf” que citamos antes, “teuf” – verlan de “fête” (festa) e outros. Por se tratar de uma gíria, seu uso não é obrigatório, mas é muito importante conhecer o verlan, para você poder entender e se comunicar com franceses em situações informais.

Além disso, você pode encontrar o verlan em filmes, séries e principalmente músicas. É praticamente impossível encontrar uma letra de rap francês que não tenha pelo menos um termo do verlan. E até mesmo nos nomes: se você é fã da música francófona atual, certamente conhece o músico belga Stromae. Pois “Stromae” é o verlan de “Maestro”!

Assista o vídeo com nosso professor Daniel Bartholomeu para saber mais sobre o verlan e algumas das inversões mais comuns:

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